quarta-feira, 14 de maio de 2014

Carrego comigo – Carlos Drummond

Há dezenas de anos
há centenas de anos
o pequeno embrulho.
Serão duas cartas?

será uma flor?
será um retrato?
um lenço talvez?
Já não me recordo
onde o encontrei.
Se foi um presente
ou se foi furtado.
Se os anjos desceram
trazendo-o nas mãos,
se boiava no rio,
se pairava no ar.
Não ouso entreabri-lo.
Que coisa contém,
ou se algo contém,
nunca saberei.
 [...]
Seguir-te submisso
por tanto caminho
sem saber de ti
senão que sigo.
Se agora te abrisses
e te revelasses
mesmo em formas de erro,
que alívio seria!
Mas ficas fechado.
Carrego-te à noite
se vou para o baile,
De manhã te levo
Para a escura fábrica
De negro subúrbio.
És, de fato, amigo
Secreto e evidente.
perder-te seria
perder-me a mim próprio.
Sou um homem livre
mas levo uma coisa.
Não sei o que seja.
Eu não a escolhi.
Jamais a fitei.
Mas levo uma coisa.
Não estou vazio
não estou sozinho,
pois anda comigo

algo indescritível.

Comentário: Um inigualável segredo todos nós carregamos, talvez um amor, talvez um desejo, só sabemos que conosco sempre estará e para a eternidade irão perdurar!

Aluna: Bianca Paula de Moura - n° 06

Um comentário:

  1. Parabéns alunos e professora Angela por fazerem uso deste recurso como divulgador de leituras. Continuem lendo muitoooooo e assim teremos muitos alunos pensantes. Um abraço!! Profª Rosamaria Sarti. Biblioteca Ativa

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